Parabéns para mim!

Há três anos que tenho passado o meu aniversário noutros lugares. Em 2006 foi em Timor, em 2007 em Macau e em 2008 em Taiwan. Estava de férias, aliás a terminar as férias. Estava a ser um dia normal, passear e coisa e tal. Decidimos subir a um monte e bebericar um chá numa esplanada ao ar livre.
Numa mesa do lado comecei a ouvir cantar os Parabéns, nem sei se era em inglês ou chinês, mas reconheci a melodia. No final, resolvi ir até àquela mesa desejar os parabéns. Eram duas meninas taiwanesas que faziam anos naquele dia 2 de Maio. Eu disse-lhes que também fazia. Com isto ganhei uma cantiga de parabéns e uma fatia de bolo, que acabou por ser o meu bolo de anos. A única coisa que eu soube dizer em chinês foi obrigada xiéxié.

Aqui ficam as fotos.

Formosa


"Por volta de 1600, os portugueses estabelecem um entreposto comercial na ilha, a que dão o nome de Formosa. Depois é a vez dos espanhóis. Os holandeses, de sua parte, ocupam o arquipélago em 1624 em meio à disputa com os espanhóis, que são expulsos em 1642. Os chineses reconquistam a ilha em 1661 e retomam a colonização com intenso fluxo migratório.(...)" Agora é a minha vez. Vou visitar Taiwan entre 26 de Abril e 3 de Maio. Espero encontrar, acima de tudo, muito verde para poder respirar. Bem sei que esta não é a melhor altura do ano para visitar a Ilha Formosa,por causa do calor e humidade, mas espero renovar o meu sangue, os meus olhos, os meus pensamentos e regressar para o "ovo" que é Macau, com algum ar nos pulmões que sirvam de motor energético para sobreviver mais uns meses.

A derradeira edição


"Partir para a leitura" foi o meu último artigo, na última edição do jornal Tai Chung Pou.
Esta publicação funde-se com outra, também escrita em português, que se chama Hoje Macau. A partir de 1 Maio começa a publicação de um Hoje Macau com mais páginas e é certo que as coisas vão ser diferentes. Para melhor, espero!

sam sap sei (34)


Trinta e quatro anos já lá vão. Nasceu no dia 2 de Abril de 1974,quando a revolução dos cravos estava em fase de incubação, a poucos dias de ir para a rua. No lugar de Palhais, na freguesia de Cambres,no concelho de Lamego, num quarto pequeno, sua mãe sofria. Sofria e, pouco tempo depois, sorria. A felicidade estampada no rosto de ver mais um filho homem nos braços. Mas também preocupada. Afinal, era o sexto filho a nascer, depois de um menino e quatro meninas. E as dificuldades eram muitas. Deu à luz o pequeno Rogério.
O menino sempre foi calmo e sossegado. Gostava de brincar, mas só pisava o risco se alguém o incentivasse,como a irmã, que nasceu depois dele, ou com o primo. Ia brincar com o primo porque ele tinha brinquedos e ele não. O primo era invisual e, em troca, o pequeno Rogério já era um pequeno professor do seu primo. Assim, aprendeu braille.
Depois de perder os pais, as suas irmãs passaram a ser as suas mães.Um menino que foi sempre acarinhado e mimado. Sempre foi bom aluno na escola e seguiu o percurso até à universidade. Mas aqui foi a desgraça. Cinco dias por semana em Coimbra, e o pequeno Rogério sentia que tinha asas. Asas para voar, sonhar e viver.
Mas, nem tudo são rosas. E chegou à conclusão que viver é também estudar. Nos últimos anos conseguiu notas que não tinha conseguido nos anos anteriores. Mas na média final esses anos também contaram e reduziram a média da nota.
Depois da primeira experiência laboral na escola secundária da Batalha, a ensinar português, rapidamente se seguiu a desilusão do desemprego. Mas, oportunidades surgiram que o levaram até um país que ainda nem tinha nascido: Timor.
Aí sentiu-se revigorado e privilegiado por estar a viver com um povo que pouco mais tinha que nada. Seis anos passaram e o "menino" Rogério voltou à Ásia, desta vez para trabalhar e viver em Macau, cidade que considera "pequena, muito pequena".
Parabéns ao Rogério pelos seus 34 anos. E venham mais uns tantos;)

*o bolo custou os olhos da cara!

as casas são assim nos bairros antigos


Há obras sempre em todo o lado! berbequins e rebarbadoras a funcionar. Os trabalhadores, primeiro, partem tudo, deitam tudo abaixo, e voltam a construir, mesmo as divisões da casa ficam diferentes. Neste prédios não há elevadores e eles carregam areia e tijolos vermelhos (parecidos com os das lareiras e fornos) às costas, aos ombros, subindo por vezes 5 andares. Agora a tendência é substituir estas grades de ferro por grades de alumínio (muito à frente!!!). Em algumas casas será colocado um altar no meio da sala, ou podem até ser reconstruídas sem cozinha. Sim, já vi um apartamento recuperado, quase novo, e não estava a ver onde era a cozinha, porque não existia:)
Eu moro num apartamento num prédio semelhante ao da fotografia.

*Acabo este post, com o som da rebarbadora de fundo...humm...que bom...qual melodia chinesa, ou qual Rita Redshoes...

Ai as pernas das meninas!

Ia a pé para almoçar. À minha frente seguia um homem. Comecei a reparar no comportamento dele. Junto à passadeira, enquanto esperávamos pelo sinal verde, olhava de alto a baixo para as raparigas que estavam ao lado dele, meninas de escola, vestidas com uniforme, cuja saia rodada deixava ver as pernas.
Segui sempre atrás dele, uma vez que, por coincidência, ia para os mesmos lados que eu. Continuava a olhar para as pernas das meninas e, inclusive, virava-se para trás. Mas, exclusivamente, para as meninas de escola.
Na paragem do autocarro ficou especado a olhar para as pernas das meninas que iam entrar para um dos autocarros que estava parado.
Até que foi mesmo flagrante no comportamento. Frente ao Mcdonalds parou e ficou especado a olhar para as pernas das meninas que à hora do almoço se juntam para comprar hambúrgueres. Percebi perfeitamente que não estava a olhar para as ementas, mas fixado nas pernas delas.
Cada um com a sua mania! Naquela hora apetecia-me dar-lhe um forte “cachaço”!Cromo!

Retrato



Peguei no bloco e num lápis. Já se sabe que gosto de blocos e, por acaso, lápis também. Comecei a tentar fazer um retrato de uma pessoa que-eu-cá-sei, mas o resultado não tem nada a ver. Quer dizer, a careca acho que está bem retratada:)
Contudo,parece um retrato-robô de um fugitivo...
Mas deu gozo porque testei aquilo que eu conseguiria fazer :))) E o melhor é não pegar em blocos e lápis novamente!

À tiracolo


Uma amiga de Macau perguntou-me porque é que os homens portugueses não transportam as carteiras das namoradas? Eu respondi, naturalmente, que em Portugal isso poderia ser mal interpretado e que as mulheres normalmente gostam de transportar as suas próprias carteiras ou sacos à tiracolo.
Ora, aqui é bastante normal que os namorados, simpáticos e cavalheiros, ajudem as namoradas a carregar os seus sacos, que geralmente são bem grandes e pesados (Imagino!).
Por acaso o saco da imagem é bem pequenito, mas até fica mais sexy :)

Vista...


...Para o Porto Interior, com a China do outro lado (direito) do rio. A fotografia foi tirada na altura do Ano Novo Chinês, por isso se vêem tantos barcos que regressaram a casa para as festividades.

...Para o Centro da Cidade, com a Avenida Almeida Ribeiro (San Ma Lo),umas das mais movimentadas,em baixo. Ao fundo, vê-se o Casino Grand Lisboa que, aliás, vê-se de qualquer ponto de Macau(quase).


*Em ambas as imagens,tiradas com telemóvel de um dos terraços do Casino Ponte 16, inaugurado em Fevereiro,vê-se o tradicional "nevoeiro", "cinzentão", que domina Macau mesmo em dias de calor.

Camilo Pessanha entre Portugal e Macau

Viveu grande parte da sua vida em Macau, onde acabou por falecer, em 1826. A última morada está a dois passos de minha casa, no cemitério S. Miguel.

Falo de Camilo Pessanha, poeta do simbolismo português.

Integrou-se bem na cultura do oriente, comprou arte chinesa, verteu poesia chinesa para a língua portuguesa, viveu com uma concubina local de quem teve um filho.
Foi professor no Liceu de Macau, advogado e jurista.
Mas era considerado por muitos dos colonialistas da altura como um ser estranho, andrajoso, que descurava o trabalho. Tinha um vício - mas muitos na altura também tinham, que era fumar ópio. A saúde era precária o que o levou por duas vezes a Portugal para apanhar melhores ares.
A única obra que permaneceu foi Clepsidra, apesar de ter criado muitas poesias que acabaram por morrer com ele.

Eis um poema que escreveu em Macau:
Vida
Choveu! E logo da terra humosa
Irrompe o campo das liliáceas.
Foi bem fecunda, a estação pluviosa!
Que vigor no campo das liliáceas!

Calquem. Recalquem, não o afogam.
Deixem. Não calquem. Que tudo invadam.
Não as extinguem. Porque as degradam?
Para que as calcam? Não as afogam.

Olhem o fogo que anda na serra.
É a queimada... Que lumaréu!
Podem calcá-lo, deitar-lhe terra,
Que não apagam o lumaréu.

Deixem! Não calquem! Deixem arder.
Se aqui o pisam, rebenta além.
- E se arde tudo? - Isso que tem?
Deitam-lhe fogo, é para arder...

Macau, Julho 1896

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